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Como escolher a maternidade em Itália

Irene · · 8 min
Faz parte do nosso guia completo sobre a gestação

Em Itália, escolher a maternidade não é apenas uma questão de distância de casa: existe uma regulamentação precisa sobre quais hospitais podem ter uma sala de partos, e uma classificação clínica que determina até que ponto essa estrutura está preparada para lidar com eventuais complicações. Conhecer as duas ajuda a escolher com critérios concretos, não apenas por sensação.

A regra dos 500 partos por ano: porque existe e o que significa para ti

O Acordo Estado-Regiões de 16 de dezembro de 2010 fixou um limite dimensional para a segurança das maternidades: as estruturas que fazem menos de 500 partos por ano devem ser progressivamente encerradas, salvo dificuldades orográficas comprovadas (zonas geograficamente isoladas, onde o encerramento deixaria um território sem assistência próxima). O documento indica também os 1.000 partos por ano como padrão “ótimo” aspiracional a três anos, um objetivo distinto do limite rígido de encerramento, com o qual é frequentemente confundido.

Apesar de a regulamentação ter já mais de quinze anos, a fragmentação não desapareceu por completo: uma parte dos nascimentos em Itália ainda ocorre em estruturas abaixo do limite dos 500 partos por ano, sinal de que a aplicação foi gradual e não uniforme no território.

Nível I, II, III: a classificação que realmente conta (e que muitas vezes se confunde com a primeira)

O número de partos por ano não diz nada sobre a capacidade clínica de lidar com um recém-nascido que vem ao mundo com dificuldades. Por isso existe uma segunda classificação, distinta, baseada no nível de assistência neonatal:

  • Nível I — trata recém-nascidos fisiológicos e patologias leves, com uma área de referência típica de 500-1.000 nascimentos por ano, sem cuidados intensivos neonatais (UCIN).
  • Nível II — inclui cuidados intensivos neonatais, com uma área de referência muito mais ampla (normalmente pelo menos 5.000 nascimentos por ano).
  • Nível III (A e B) — assistência completa para bebés nascidos antes das 28 semanas ou com menos de um quilo de peso, ventilação mecânica avançada, UCIN completa.

O ponto que não se deve confundir: uma maternidade pode ter volumes suficientes para continuar aberta (acima dos 500 partos) e ser, ainda assim, de Nível I, ou seja, sem UCIN. As duas classificações devem ser avaliadas em conjunto, não como sinónimos, sobretudo se a gravidez apresentar sequer um único fator de risco.

Mais um critério concreto: a taxa de cesarianas da estrutura

A diferença entre hospitais públicos e clínicas privadas na taxa de cesarianas é ampla e está documentada: cerca de 28% nos hospitais públicos contra quase 45% nas clínicas privadas acreditadas, segundo os dados mais recentes do CeDAP. Muitas regiões publicam o dado específico de cada estrutura através dos relatórios CeDAP regionais: é mais uma informação concreta, a usar em conjunto com (não em vez de) a distância de casa e o nível de risco da gravidez.

Distância de casa: quanto pesa realmente

Para uma gravidez fisiológica, sem fatores de risco conhecidos, a proximidade de casa costuma ser o critério mais prático: chegar ao hospital em trabalho de parto sem o stress do percurso conta, sobretudo num segundo ou terceiro parto, em que os tempos tendem a ser mais rápidos. Para uma gravidez já classificada como de risco, convém em vez disso dar prioridade ao nível de assistência (II ou III), ainda que implique um percurso mais longo, para ter os cuidados intensivos neonatais disponíveis no local em caso de necessidade.

O que muda se a gravidez se tornar de risco a meio do percurso

Não é raro que uma gravidez inicialmente fisiológica desenvolva um fator de risco mais tarde (hipertensão gestacional, diabetes gestacional não controlada, crescimento fetal anómalo). Nestes casos, o ginecologista encaminha a transferência para uma estrutura de nível adequado com antecedência suficiente antes do parto, sempre que possível, mais um motivo para te informares, já com antecedência, sobre quais as maternidades de Nível II ou III acessíveis a partir da tua zona, ainda que não sejam a primeira escolha.

Como te informares antes de escolher, na prática

  • Pergunta diretamente no centro de saúde ou no serviço qual o nível de assistência neonatal (I, II ou III) e se existe UCIN.
  • Verifica a taxa de cesarianas da estrutura específica através do relatório CeDAP regional, se a tua região o tiver publicado.
  • Considera em conjunto, não separadamente: a distância de casa, o nível de risco da tua gravidez, e a capacidade clínica da estrutura, nenhum dos três critérios chega por si só.

Em resumo

Escolher a maternidade significa avaliar duas coisas distintas: se a estrutura tem volumes suficientes para continuar aberta (limite dos 500 partos por ano) e se tem a capacidade clínica adequada ao teu nível de risco (classificação Nível I/II/III, baseada na presença de cuidados intensivos neonatais). Nenhum dos dois critérios substitui o outro, e a distância de casa pesa de forma diferente segundo a gravidez seja fisiológica ou já esteja classificada como de risco.

Perguntas frequentes

Quantos partos por ano deve fazer uma maternidade para continuar aberta em Itália?

O Acordo Estado-Regiões de 2010 fixa em 500 partos por ano o limite abaixo do qual uma maternidade deve ser progressivamente encerrada, salvo dificuldades orográficas comprovadas (zonas isoladas). O documento refere também os 1.000 partos por ano como padrão “ótimo” aspiracional, mas é um objetivo distinto do limite rígido de encerramento.

O que significa uma maternidade ser de Nível I, II ou III?

É uma classificação da capacidade clínica neonatal, não da dimensão da estrutura: o Nível I trata recém-nascidos fisiológicos e patologias leves sem cuidados intensivos neonatais (UCIN); o Nível II inclui cuidados intensivos com uma área de referência mais ampla; o Nível III tem a UCIN completa para bebés nascidos antes das 28 semanas ou com menos de um quilo de peso.

A taxa de cesarianas de um hospital é uma informação que posso conhecer antes de escolher?

Sim, muitas vezes é pública através dos relatórios CeDAP regionais do Ministério da Saúde italiano. É mais um critério concreto, útil em conjunto com (não em vez de) a distância de casa e o nível de risco da gravidez.

Convém sempre escolher o hospital mais próximo de casa?

Para uma gravidez fisiológica sem fatores de risco, a proximidade costuma ser o critério mais prático. Para uma gravidez já classificada como de risco, convém em vez disso privilegiar uma maternidade de Nível II ou III, ainda que mais distante, para ter cuidados intensivos neonatais disponíveis em caso de necessidade.

O que acontece se a minha gravidez se tornar de risco depois de ter escolhido uma maternidade de Nível I?

O ginecologista encaminha a transferência para uma estrutura de nível adequado (II ou III) com antecedência suficiente antes do parto, sempre que possível. É um dos motivos pelos quais a classificação de nível, e não apenas o volume de partos, deve ser sempre considerada em conjunto com a evolução da gravidez.

Como posso saber se uma maternidade tem cuidados intensivos neonatais (UCIN)?

Podes perguntar diretamente no serviço, no centro de saúde, ou verificar no site da ASL/Região de referência, que normalmente publica a classificação de nível das maternidades do território.

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