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Alimentação depois do parto e na amamentação: o que comer realmente

Irene · · 7 min · Atualizado em 13 de julho de 2026
Alimentação depois do parto e na amamentação: o que comer realmente
Faz parte do nosso guia completo sobre cuidados com o recém-nascido

Este guia não substitui o teu médico, parteira ou pediatra — sobretudo em questões de alergias, patologias ou dificuldades específicas de amamentação, em que as indicações devem ser personalizadas. Se procuras a parte sobre a alimentação durante a gravidez (o que evitar por causa da toxoplasmose, o ácido fólico, o mito de «comer por dois»), já existe um guia dedicado: alimentação e exercício físico na gravidez. Aqui falamos do que acontece depois: no pós-parto e durante a amamentação.

Logo depois do parto: o que ajuda o corpo a recuperar

Nos primeiros dias depois do parto, o corpo perdeu sangue e líquidos e — se estiveres a amamentar — está a começar a produzir leite: hidratação, proteínas e ferro são as prioridades práticas, mais do que qualquer regra rígida. Não existe uma «dieta pós-parto» padrão recomendada pelas orientações clínicas: nos primeiríssimos dias, o que conta sobretudo é comer quando tens fome, sem restrições, enquanto o corpo se reorganiza. Quem perdeu mais sangue do que o previsto no parto pode precisar de mais ferro: é algo a avaliar com o ginecologista com base nas análises, não algo para autoprescrever.

Durante a amamentação: quanto comer

As orientações da SIGO sobre nutrição na amamentação indicam uma necessidade adicional de cerca de 330-500 kcal por dia nos primeiros seis meses de amamentação exclusiva — as fontes variam ligeiramente no valor exato, mas a ordem de grandeza é semelhante à do terceiro trimestre de gravidez. Conta mais a qualidade da alimentação do que a contagem calórica precisa: proteínas, ferro, cálcio e, sobretudo, líquidos suficientes, porque a produção de leite exige muita água. Não é preciso pesar nada nem seguir um plano rígido — come quando tens fome, um pouco mais vezes do que o habitual.

Mitos a desmontar sobre amamentação e alimentação

Um dos mitos mais difundidos é o de que certos alimentos — alho, couve, cebola, especiarias — causam cólicas no recém-nascido através do leite. As provas científicas que o sustentam são fracas e inconsistentes: alguns bebés parecem reagir a certos alimentos, a maioria não, e não existe uma lista universal válida para todos. Eliminar preventivamente grupos inteiros de alimentos «por precaução», sem ter observado uma reação real, geralmente só serve para tornar a dieta mais pobre sem benefícios comprovados.

O mesmo ceticismo merecem os «galactagogos» — suplementos à base de erva-galega, feno-grego ou cardo-mariano vendidos online como produtos para «aumentar o leite»: as provas de eficácia são fracas. A produção de leite depende sobretudo da frequência e da eficácia das mamadas ou das extrações, não de um produto. Se tens dúvidas reais sobre a quantidade de leite produzida, a pessoa certa a consultar é uma consultora de amamentação (IBCLC) ou o pediatra — não um suplemento encontrado online. Para o equipamento relacionado com a amamentação (biberões, bomba tira-leite), há o guia sobre o que é realmente necessário.

O que evitar ou limitar durante a amamentação

As restrições são menos rigorosas do que na gravidez, mas algumas continuam a contar. Álcool: se o consumires, espera pelo menos 2-3 horas antes da mamada seguinte, dependendo da quantidade — passa para o leite proporcionalmente ao que está no sangue. Cafeína: limita-a a cerca de 2-3 chávenas de café por dia, porque passa para o leite em pequenas quantidades e, em alguns casos, pode perturbar o sono do bebé. Peixe com elevado teor de mercúrio (espadarte, atum em grandes quantidades): mantém-se válida a mesma cautela da gravidez. Quanto ao resto, uma dieta variada e equilibrada é suficiente — não são necessárias exclusões preventivas.

Suplementos: continuar, suspender ou mudar?

Muitos ginecologistas aconselham continuar um multivitamínico com DHA também durante a amamentação, porque o DHA passa para o leite e apoia o desenvolvimento neurológico do bebé. Uma opção comum é continuar com o mesmo multivitamínico usado na gravidez, como o Multicentrum Mamã DHA, mas é uma escolha a confirmar com o teu médico com base nas análises de sangue — nem todas as mulheres precisam das mesmas dosagens.

A minha bússola em 4 pontos

1. O aumento calórico na amamentação é modesto (330-500 kcal): não é preciso duplicar as refeições.

2. Nada de listas de alimentos proibidos por causa das cólicas: as provas científicas são fracas, elimina um alimento só se observares mesmo uma reação.

3. Desconfia dos produtos para «aumentar o leite»: o que conta é a frequência das mamadas, não o suplemento.

4. O álcool e a cafeína gerem-se com bom senso, não com a abstinência total exigida na gravidez.

Para o resto da preparação, há os guias sobre o que é realmente necessário, o que é preciso para a amamentação e o que é preciso para o sono do bebé. Se quiseres organizar tudo do zero, começa pelo guia completo da lista de nascimento.

Perguntas frequentes

Quanto mais é preciso comer durante a amamentação?

As orientações da SIGO indicam uma necessidade adicional de cerca de 330-500 kcal por dia nos primeiros seis meses de amamentação exclusiva, dependendo da fonte — uma ordem de grandeza semelhante à do terceiro trimestre de gravidez. Conta mais a qualidade (proteínas, ferro, líquidos) do que a quantidade exata.

Há alimentos que causam cólicas ao bebé através do leite?

Não existe uma lista universal. O mito de que o alho, a couve ou as especiarias causariam cólicas tem provas científicas fracas e inconsistentes: alguns bebés reagem a certos alimentos, a maioria não. Não é preciso eliminar preventivamente grupos inteiros de alimentos sem um motivo observado.

Os suplementos «aumenta o leite» (galactagogos) funcionam mesmo?

As provas de eficácia de produtos à base de erva-galega, feno-grego ou cardo-mariano são fracas. A produção de leite depende sobretudo da frequência e da eficácia das mamadas/extrações, não de um suplemento. Em caso de dúvidas reais sobre a produção, a referência é uma consultora de amamentação (IBCLC) ou o pediatra.

Posso beber álcool ou café durante a amamentação?

As restrições são menos rigorosas do que na gravidez. Se beberes álcool, espera pelo menos 2-3 horas antes da mamada seguinte, dependendo da quantidade. A cafeína deve ser limitada a cerca de 2-3 chávenas de café por dia: passa para o leite em pequenas quantidades.

Fontes

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